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Mostrando postagens de 2014

Do café.

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Resistir à fome, porque a memória é olfato, paladar E tato Resistir ao arrepio, Quando o corpo é mais abraço e menos Roupa.
Café.
Para tirar o gosto dele da minha boca.
Sussurra-me ao ouvido, Bálsamos, brisas  ( algumas estrelas) Da tua boca , o meu gosto:  Acordes, febre, poros e pele. corro por tuas fronteiras  impregnando meus cabelos de céu. Instante bruto. imenso-me.
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Ela caminha em tortas  linhas
Tatua   poemas À tinta-sangue
Se faz riso pele e cartilagem, 

À deriva no tempo,   Equilibra-se  antiga.

Há um poema.  Feito de memórias, à batida exata do teu coração. 
Há um poema. Um poema em que esqueceu a magia das brincadeiras da infância, o bolinho de chuva da avó, as histórias ao pé da cadeira de balanço do avô.   Neste poema, ainda paira o mundo onde a ternura era uma janela a fechar o medo e a frieza desse tempo.
Há um poema. Procuro-o hoje nos teus gestos mais comedidos e vagos, na tua voz perdida  na solidão das cidades.   Procuro-o nas madrugadas ,quando sozinha, tua tristeza se faz derramada.
Há um poema. Deve haver mesmo esse poema perdido, num lugar que só você sabe. Há um poema. Persigo-o ansioso, guiado pelo instinto de pensar o teu rosto o rosto desse poema, teu corpo, seus versos, tua boca, toda a poesia nele contida.
Há um poema. Eu sei.  Vou  escrevê-lo  através da  pontuação do teu fôlego.   Pode ser que eu  até estremeça ao descompasso da tua respiração,mas escrevê-lo-ei naquele lugar, onde dos teus olhos, eu sinta o aroma das brincadeiras da tua infância.
É que os  olhos  rastejam pelas coisas, Com o espasmo de quem Toca o limiar da morte...
Esses sóbrios móveis não me explicam... A frígida cidade não me explica. Os dicionários não me explicam...

Mas, essa coisa vaga, indefinida
G R I T A
Na morada indócil e enclausurada Do que sou.

Já não me  suicido, Por hoje.


Só me continua...

Enquanto você passava arrastando um sorriso de quem sabe o que carrega, fui a moça mais feliz da rua. Tenho preenchido nosso espaço com uma porção de lembranças boas e um tanto de riso fácil, essas coisas que traz você. Porque tudo que nos aproxima tem a garantia elástica e risonha de um encontro na beira da praia, do mar e do sol. 

A lembrança de que teus olhos me procuram é sagrado para mim. E agora pra recomeçar (o que nunca acabou) vou te escrever sempre, essa mania de colocar nossa história num lugar macio e largo, igual ao teu abraço. Ah! O teu abraço... É nele que eu quero chegar e mesmo sem saber onde vai dar, vou continuar ali, na extensão de tudo que é ventilado, rodeada por todas suas cores, por tudo que é bom dentro dele.Teu abraço, moço, é onde tenho caído de um voo despretensioso do meu pensamento.


Com você é sempre como se não houvesse fim. Com você é sempre o que a vida nos reserva de bom, de bem, do ZEN geral de todos e felicidade total do planeta. Com você é sempre amo…
quando acordo  silêncio vem logo um poema e me beija a boca.
Tão olfativa,   Desenha-se à traços de perfumes mergulhada em essência.
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crava-me o dente porque o perfume é cor carmim.  Bem quente.

Latente.

Entre o meu querer e o seu tanto faz mordo a língua. permito-me arder.

Águas Abensonhadas.

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Um par de olhos azuis a navegar um mar de muitas Áfricas.

Crianceira.

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Eu. Manoel. E um dedo de prosa,  lá  na beira da infância.

Do Carmim

Estou
In 
Fluxo

Não coube.

Amo - nos  tão líquida 
que nem cabe no verso.

In preciso

Traz-me as imprecisas rimas, amor. Adoça-me a fé.
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Na infância ficou o Circo. o mágico. o malabarista. Ah, amargo pesar! Só o Palhaço me  conti(nua).





Divago . Gosto , mas devagar...

Insônia.

é nas noites  em claro que escureço-me.

Tua.

Meio crua. Meio nua. Meio lua. Inteira sua

Sutura

Muito sangue, pouca cura.

Via.

Transeunte das vias do Tempo, Das formas e espaços, Lunar. Desenhada à medida do próprio  P o e m a
Riso ,
de derramar.
Se der, mar
amar .

Reverso.

avesso ao meu verso,  você. meu carma mais  perverso .

Há muito Drama na trama de quem  ama
Standby

não funciona, amor
Se quer , terá que lidar 
comigo. inteira.
e totalmente carregada.

Medida.

ardor 

                              a       dor       meço


                                      e


 adormeço...

Sintaxe.

. . .


Não é mais paciente  da última oração.. Livre de hiatos inexatos, conjuga vida, em primeira pessoa. . . .

Sono.

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Achegue-se no meu sonho. apague a luz,  acenda o céu quando deitar.

Levinho.

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( Leve )
. . .
Estou à penas...

Arrrumação

Queria poder arrumar o coração com a mesma destreza com que  arruma gavetas . . .

Lento...

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Nós (...)
amor lento Dentro.
(Des)contida a poesia...
só respiração.

As Flores do Ofício.

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Há tempos que não sei o que é a sala de aula. Mas meu serviço às vezes me permite ir até à escola, por outros motivos, é claro.   Entro, correndo , estressada, nada parece dar certo .  Entro na escola totalmente cega, anulada para o dia.   E aí, quando menos espero , sou surpreendida um grito que vibrava um " eeeeeeei professoraaaaa ! ! "  Logo em seguida, um abraço , com tanta verdade que perdi o tino.   Era uma  menina de olhos tão vivos  e cabelo tão cacheadinho. Há três anos atrás , os olhos eram de expectativa e medo  .   Devia ter lá seus 10, 11 anos, primeira vez no " colégio" . Mal sabia ela que a professora,   também estava  perdida dentro de si, aprendendo ainda a ser gente na vida.  Hoje , ela já está crescida .  Hoje, continuo a ver naqueles olhos a mesma doçura de outrora.   Nos meus, só  uma imensa gratidão .  À ela, porque salvou o meu dia .    À vida, porque sou professora.

Insone

Noite enorme, enorme  . Tudo dorme, menos eu.   Tv. Livro. No fim, só café mesmo e teu nome insone madrugada afora..  Teu nome que não some.  Teu nome que ressoa na memória.Lembrança  amargamente doce e tão física.  Cruel.
Na madrugada nada me escapa. Silêncio interrompido pelo ranger de alguns portões, vozes alcoólicas  numa noite em coma. A clareza das coisas me  ensurdecem . Nada é tão real quanto a falta de sono. 

Livros dispersos na cama. Roupas pelo chão do quarto.   E eu,  espectro transparente do que me foge. Eu, vendo a vida de fora  enquanto sou puro fantasma.  Vagueio só por minhas cidades, por minhas ruas tão bifurcadas .
Enquanto o  café  esfria, o passado, visita indesejada, bate à porta, insistindo em reavivar tudo o que dolorosamente já havia deixado para trás..
 Tormenta.Não adormeço . 
É muito implorar por companhia e calma?  Quero tanto afastar o medo .   Quero tanto ser feliz que dói.
.
.
.
Amanhece . E minha insônia não resiste à mais um  dia de sol que bate em minha janela.

Voa de tão leve ...

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(...)


Eu lhe procuro, como quem procura um pouco de sombra onde se abrigar. E nessa sombra, eu quero aprender a minha filosofia de vida, a ser mais simples, mais humilde, mais natural e mais contente. Quer, pois, você, minha querida, ser a professora de alegria e de contentamento e de paz, para a minha vida? Não queiramos julgar que tudo isso seja sonho e fantasia. Por que há de ser? As coisas melhores que pude construir até hoje foram as minhas amizades. O nosso amor há de ser qualquer coisa de maior e de melhor. Ajude-me, pois a construí-lo. Com o seu auxílio, ele há de ser tão alto, tão sólido, tão humano e tão bom que irá para além do nosso sonho. Adeus. Saudades e saudades e saudades. Escreva-me muito. 

Todo seu
Anísio




TEIXEIRA, Anísio. Carta a Emília Ferreira Teixeira, Bahia, 31 jul. 1930.
Localização do documento: Fundação Getúlio Vargas/CPDOC - Arquivo Anísio Teixeira - ATc 30.06.22.


Leve, poético, Anísio!

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(...)
Que pequena confiança, minha querida Emilinha, tenho eu nessa sabedoria. Prefiro a minha, que me diz que seria infinitamente melhor que estivéssemos juntos. E que você pudesse já começar a me ajudar a reconciliar-me com a vida. Custo tanto a andar sozinho. São encontradas aqui, conflitos acolá, erros além, toda uma caminhada incerta, em que a gente não sabe bem para onde vai, nem porque vai... Você com a sua boa alma simples há de me ajudar nessas incertezas. Eu não sei bem tudo que espero de você. Sei apenas que um impulso cego e instintivo me arrasta para você. Sei que por essa inclinação estou disposto a sacrificar o que, há bem pouco tempo, era tudo que eu mais queria no mundo: o meu orgulho, a minha independência, a minha liberdade de viver sozinho. É muito, pois, o que espero de você 
(...)


TEIXEIRA, Anísio. Carta a Emília Ferreira Teixeira, Bahia, 31 jul. 1930. Localização do documento: Fundação Getúlio Vargas/CPDOC - Arquivo Anísio Teixeira - ATc 30.06.22.

De Anísio

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Querida:

De propósito lhe escrevo neste papel transparente e leve. Vou, daqui a pouco, mandá-lo pelos ares para você. Quero-o assim leve, ligeiro para dar-me a impressão de que é um pouco de asa, um pouco de espírito, um pouco de coração que lhe mando nesta tarde, em que estou tão fatigado e o ar, o céu, tudo está tão doce, que a minha saudade parece que se diluiu em uma vaga incerta de tristeza.


TEIXEIRA, Anísio. Carta a Emília Ferreira Teixeira, Bahia, 31 jul. 1930.
Localização do documento: Fundação Getúlio Vargas/CPDOC - Arquivo Anísio Teixeira - ATc 30.06.22.

Das letras -e - bola

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"Ora, a sorte! A Copa  do Mundo de 82 acabou para nós,  mas o mundo não acabou.  Nem o Brasil, com suas dores e bens.  E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos." Drummond







 A literatura  é tecida com os fios da vida.  E o que mais representa a vida do que um jogo de futebol? Enfrentamentos.   Pancadas.   Coletividade.  Disputa. Rivalidade.  Tempo que urge. Tempo que demora a passar.   Erros e  acertos.   azar . sorte.   Paixão.    E não é que é imprevisível como  a tal vida? Vida que é também regada à fortes emoções  que  geralmente  fazem o coração apertadinho... Que outras vezes, alargam o sorriso de contentamento e euforia! Futebol, assim como  a Literatura  ensina -nos a passar pelas intempéries dos dias , nos põe humanos diante do prazer que é ganhar - um jogo, um amor ou nós mesmos.  Ensina também a perder - é o lembrete que firma os pés no chão,  alerta ao ouvido ' olha, você é feito de carne, osso, coração'. perder ensina a sabedoria da humildade, alarga a maturi…

De mim..

Daquele dia nada soou com tanta verdade. Somente nós em um momento íntimo de encontro .
Eu não pertenço. Alguém pertence, afinal?
Talvez as pessoas estejam absortas demais para se perguntarem. Eu nunca fui de lugar nenhum. Não tenho parte no mundo.Não tenho ídolos. Não me vejo em nenhuma pessoa . Não queria ser ninguém além de mim mesma.Não conheço quem entenda o que eu quero dizer. Não conheço ninguém disposto. Ninguém entende o meu tempo.Ninguém sabe dos meus segredos.Ninguém sabe de mim. Eu não pertenço. É definitivo.


( Do Blog " E agora, Maria? " )

Do dia .

acordo decidida. nunca mais esses olhos cruzarão os teus. me arrasto pelo dia. domingo. café. cães. cadernos. o telefone não toca. eu sei, não vai tocar. aprendi que a mesma loucura que atrai é a que espanta. que a mesma doçura que alivia dá náuseas. e é tudo o que sou: louca e doce. lembro que era pra eu estar agora, do teu lado, rumando o norte. não sofro. tua dureza nos últimos dias quase que me empedra também. então eu choro. porque é tudo tão bonito e tão confuso na minha cabeça. porque tenho essa mania de absorver as dores do mundo e de não entender porque um amor enfraquece. porque acho a coisa mais linda a gente se amar, pouco ou muito, não importa, o amor não é mensurável, você me disse. e também tão doído os rumos que tua distância e minha não lucidez nos leva. não há mocinhos nem vilões. somos apenas pássaros. sem ninho. tentando novos pousos. tentando voar mais alto. me lembro do terminal. da primeira poesia. das ligações matinais. ô glória. das canalhices trocadas. do pou…
Resiliência:

.  Andar apesar do tropeço.
.   Colar os pedaços estraçalhados do coração.
. Absorver   a decepção  , dar-se  à tapas 
( porque a vida não deixará de bater)

. Coragem para abraçar cicatrizes e dançar sobre as feridas.

Reti( essências)

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'Beijo-te levemente na face, não como se fosse um orvalho na madrugada, pois este apesar de leve e delicado é frio. Quero que pense neste meu encostar de lábios, a mornura do hálito de um fogão a lenha da casa de uma pessoa querida, esperando que o café fique pronto...'

Li isso um tempo atrás , tão menina, tão imediata e leiga ante à complexidade da vida.  Quem me escreveu, o   dono de uma amizade que atravessou-me o caminho. Mal sabia que seria ele, o personagem que iria ruir as minhas cidades . Apesar de Nossas linhas tão tortas, 
há  tempo ainda para   reescrever nossa história - eu dou a tinta.




...

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"(...) Desenhar-te-ei um botão de rosa no umbigo  uma corola em cada mamilo.  Só para cheirar, amor.  Só para cheirar a morte. (...)"

Henrique  Fialho.

Classic a (mente)

Culturas vivem de travessia . Prova disso são as histórias clássicas, que sobreviveram às intempéries e aí estão, ainda a nos encantar - para desgosto daqueles que , tendenciosamente forçam teorias , ineficientes ante às possibilidades da Língua, da História, afirmando, através da mesma violência da hegemonia, o viés de um mesmo discurso : excludente. 

Certo mesmo é que um clássico não existe e nem transcende o tempo por mero acaso. Não é à toa que uma de suas interpretações etimológicas seja justamente 
" classos - grande embarcação para viagens longas . "
Não é à toa que um clássico, " nunca termina o que tem para dizer" .  

E por que diz?  Só lendo para saber...


Chega o dia, que querendo ou não, o coração há que  aportar para que a vida, 
siga solta , atrás de qualquer leveza ou esperança perdida...   E quem sabe, encontrar  ...

Outro alguém .
Outra novidade.
Outro telefone.
Outro café.
Outro abraço.
Outra pele.
Outro sorriso.
Outro cheiro.
Outra música.
Outra noite.
Outra descoberta.
Outra viagem.
Outra  poesia .
Outro  sonho.
Outro colo .
Outro encontro .
Outra saudade.
Outro filme.
Outro jeito.
Outro amor.

Outro. outro. Outro alguém,  sim.
 Virá . Virá . 

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Tinha forma de menina; 
Trajava meus olhares 
E meus sossegos particulares.

(Tadeu Francisco)



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É na minúcia que amo . às vezes até adoeço.
 Cheio de engenho , o meu amor .
Bota reparo na leveza.  Ajeita e acolhe o riso.  Sempre foi assim.

Na infância, era o circo chegar e eu , tão menina, sentir o coração saltar pela boca, a pulsar alegria.  Felicidade concreta que deixava o coração   apertadinho ..apertadinho ...


Descobri aí , que amor é também felicidade.  

Talvez, fazer rir, seja a melhor forma de amar alguém .


Preciso manter a ilusão de que tudo pode ser doce. Preciso acreditar que a vida pode ser como a voz de Eliete. E que em alguma esquina, um dia — por que não? — encontrarei um amor bonito esperando por mim.

Quando saio, agora, fico impaciente. Quero voltar pra casa, colocar logo o disco para que o mundo todo se reorganize em do­çura. Gostar de ouvir Eliete é cuidar de um certo jeito de olhar o mundo. Por trás do susto, perdão de olhos molhados, pegar na mão devagarinho e repetir de verdade, do fundo, sem o menor pudor, sem ânsia alguma:

—Gosto de você. Você existir me ajuda a viver.

Depois, acreditar que tudo vai dar certo. E deixar — como ela canta—que o amor dê o que falar.



 Caio Fernando. 

In : http://semamorsoaloucura.blogspot.com.br/

Vazio

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às vezes, a frustração aporta e  a vida parece mais uma embarcação de ansiedades e vontades contidas - transbordando de vazio imenso.    Teimo em pensar que  aqui por dentro não há espaço para o cheio dos nadas. Que há gente linda conhecida no decurso dos anos -essas,  pairam nos meus sonhos.  Que o sorriso do sobrinho é qualquer coisa de nuvem e de Deus na Terra.  Que tenho  a desenhar as viagens que ainda não fiz . Que aprendi a amar  com a beleza  i n t e n sa e dolorosa  que convém às almas.   
 Todavia, a memória -mais teimosa do que EU -  mal -educada, torna a bradar que a saudade  é mais abusada do que se sabe.  
Que distâncias forçadas  , maltratam, e o tempo , 
nem sempre  sutura as cicratizes causadas pela " faca  só lâmina " 
que é o amor .  
 Sei que há um mundo a girar,   cheio de coisas e estrelas.   Que as estações continuam, intocáveis.  Que a esperança ainda caminha  com leveza. Que o caminho é convite pro que vier. Que há outros portos e sensações, um céu inteir…

Saudade.

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Fernando Pessoa.

Entre o Riso e o Significado.

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Vem da infância o fascínio pelo Clown, adornado com um pouco de medo, é claro. O Circo sempre  aparece como mágica na vida de uma criança.  E vem do palhaço, o encanto que circula dentre todo o universo de cores e exagero. 
Segundo o Fellini,  um "clown encarna os traços da criatura fantástica, que exprime o lado irracional do homem, a parte do instinto, o rebelde a contestar a ordem superior que há em cada um de nós. É uma caricatura do homem como animal e criança, como enganado e enganador.  É um espelho em que o homem se reflete de maneira grotesca, deformada, e vê a sua imagem torpe.  É a sombra."
Sombra essa que tendemos a esconder por não encaixar  numa sociedade cheia de padrões, com gavetinhas que não  cabem o disforme , o escuro  e o mais humano dos adjetivos : o imperfeito.
Mas o  Clown aí está, a lembrar-nos que no homem residem o irracional, o  instintivo . A tirar-nos do automático,  do caos cotidiano que tudo banaliza, a mostrar-nos a beleza da criança que da…

Do Abismo.

Pensa-se que profundos são os  precipícios que aí estão a enfeitar a natureza.

 Muito mais fundos são os abismos, de  Dentro.
 Entranháveis em nós.
"Descobri que servia era pra aquilo:  Ter orgasmo com as palavras."

Manoel de Barros.

Da Sensualidade.

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Em tempos de engessamento  da beleza em molduras de cosméticos milagrosos e corpos petrificados, deparo-me com uma sentença maravilhosa da Viviane Mosé :
Ser gostosa não é ser magra e ter bunda dura e seios grandes, ser gostosa é ser sensual. E ser sensual é querer comer e ser comida pela vida.Que é o que me caracteriza.
"Comer a vida ".. as palavras sobrevoaram meu pensamento durante toda a manhã ... Tenho comido a vida ou consumido o discurso mercadológico facínora que me entala a garganta com coisas plastificadas e sem dignidade?
Discurso esse que   força no meu corpo amarras de um padrão de beleza surreal, branca, magra,  enquanto propagam na telinha o elixir da felicidade  - disponível a cada postagem, a cada nova exibição do espetáculo do " eu".   Também encontrada nos potinhos portadores do milagre anti-idade. 
A vida sob a regra do discurso consumista é mágica.  Felicidade escancarada.  O instagram acabou com o acolhimento da intimidade familiar, com o cheirinho …

bota fora

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saia blusa saia calcinha  saia camiseta saia sutiã saia saia
saiam todos que eu preciso da gaveta oca para guardar papeizinhos
*líria porto