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Mostrando postagens de Janeiro, 2016

Intervalo (amor) oso

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O que fazer entre um orgasmo e outro, quando se abre um intervalo sem teu corpo?
Onde estou, quando não estou no teu gozo incluído? Sou todo exílio?
Que imperfeita forma de ser é essa quando de ti sou apartado?
Que neutra forma toco quando não toco teus seios, coxas e não recolho o sopro da vida de tua boca?
O que fazer entre um poema e outro olhando a cama, a folha fria?
É como se entre um dia e outro houvesse o vago-dia, cinza, vida igual a morte, amortecida.
O poema, avulso gesto de amor, é vão recobrimento de espaços. O poema é dúbia forma de enlace, substitui o pênis pelo lápis - e é lapso.

Affonso Romano de Sant'anna.

Da maternidade

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Confesso que a ideia da maternidade me assombra. às vezes penso ter propensão natural à ela e a possibilidade de não -realização disso já me põe paranoica. Mas , fato é, que o terror perpassa todos os ângulos:  a estranheza , a vulnerabilidade, a imagem romancizada da gravidez.  Quero ser mãe.  às vezes minha natureza grita por isso. Porém, incomoda-me a divulgação da maternidade como o fator supremo de realização da feminilidade,  como "dádiva" .  Afinal, não ser mãe não faz de mim menos mulher.



" Há muitos lugares-comuns acerca da maternidade; a maior parte deles, por inércia ou simples cobardia, vai-se sedimentando até se tornar verdade absoluta. Nenhum desses equívocos é, por assim dizer, tão falso e absurdo como a imediata emergência do amor filial. É certo que muitas mulheres, com propensão para o drama, choram de emoção mal vislumbram o ser que lhes escorre das entranhas. Ainda os meninos, olhos inchados das conjuntivites neonatais, sonham com o aconchego nacarado…