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Mostrando postagens de 2012

Feliz Ano Novo!

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Mais e mais ainda  poesia. Mais abraços, menos beijos insípidos , mornos . Mais livros lidos,mais leituras apaixonantes sem a profundidade superficial das frases feitas e dos lugares-comuns. Mais arrepios, menos medo e mais entrega. Mais surpresa, menos conformismo, inércia. Mais cama, com lençóis limpos e um cheiro inesquecível no travesseiro .

É tempo de lavar-se do ontem, despir-se para o amanhã. Aceitar o que ele trará. Ele. Tirar os cabelos do rosto, sentir o vento, esticar os braços, tentar alcançar a nuvem, ficar na ponta dos pés. Dançar sem vergonha. Conversar com as paredes, abrir as cortinas, vestir os olhos com a paisagem da janela. 

Menos eu, mais nós. Menos dor, mais superação. Menos lágrimas, mais sorriso. Menos vaidade. Mais verdade. Mais doçura. Mais delicadeza. Mais paz. Mais Fé, mais alma. Mais , Mais. Mais. Mais  amor até o fim e depois..

Feliz Ano Novo! 

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Fernando Pessoa.

Dia de Manoel . Dia de Poesia.

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"Eu acho que buscar a beleza nas palavras  é uma solenidade de amor."
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As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam. Ver passar a vida sob um dia azul compensa-me de muito. Esqueço indefinidamente, esqueço mais do que podia lembrar. O meu coração translúcido e aéreo penetra-se da suficiência das coisas, e olhar basta-me carinhosamente. Nunca eu fui outra coisa que uma visão incorpórea, despida de toda a alma salvo um vago ar que passou e que via.

Bernardo Soares

Dia da Bruxa ^^

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'Ao teu recomeço faço votos de prosperidade – aquela prosperidade que preenche e aquece – que nos oferece continuidade neste ciclo infinito.Que o Senhor continue sendo sua Luz e apontando o seu caminho.  A este reinicio confio em teu dedo mágico: faça dos gestos prumo para teus horizontes mesmo que ainda lhe pareçam distantes – este dia nos pareceu longínquo certa vez, mas eis que estamos presentes nele!  Presenteio-te nos termos de tua profissão: em organização e planejamento, para posicionar toda a massa de documentos a proporções mensuráveis. Fica como troféu de formada, graduada, proprietária de especialidades que são só tuas. Parabéns, amiga. Agradeço-te pelas aventuras do passado e surpresas do por vir. Meu abraço é saudosista e valoroso por nós
Sê feliz. Muito feliz, Bruxa!


PS: Texto retirado de Via do Lar.

'Põe fogo-artifício sobre lençóis'

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'Vibra a alma em sol sustenido com sétima. Não traça caminhos, só ascende às estrelas. E espera. O ano rebenta o tempo para deixar sua marca. E ela demarca em seus braços um tempo que não há de passar. Jamais.'

'Eternize '

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Fervo, te ter por perto é um arrepio, tremo se percebo um desvio na tua segurança, desejo que se perca e se ache no que acredito, tão impossível vir comigo assim? errado ou certo quem dirá será o tempo, o momento pede somente o decidir entre ir e ficar, o caminho está a frente, basta saber o que você quer eternizar.
Cáh Morandi

O Beijo - Parte I

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Capitu, queria então te contar um segredo.
Antes da hora, e com um pouco de medo
É coisa surreal que só eu sei.

Aconteceu fora da sua lei
Mas aconteceu.
Com tintas fortes uma imagem brutal
Um beijo
Aconteceu eu juro.Antes do carnaval
Na tua boca macia
E eu fiquei ali paralisado.
Com as mais diversas emoções
Emocionado
E isso não foi tudo.
olha que louca, tua boca
macia
também me queria.



Da Intrigante estória de Bentinho e Capitu revisitada. L Cypher

O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS

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Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.


Manoel de Barros.
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E sem ser vista Rasgo Alguns véus e fibras
Sem ser amada Pertenço.
Que sobreviva O fino traço de tua presença. Aroma. Altura. E lacerada eu mesma
Que jamais se perceba Umas gotas de sangue na gravura.


H. Hilst

Das óbvias conclusões.

" A única maneira de liquidar o dragão é cortar-lhe a cabeça, aparar-lhe as unhas não serve de nada."
(José Saramago)
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Sentir é Buscar.

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“Tudo é encontrar qualquer coisa. Mesmo perder é achar o estado de ter essa coisa perdida. Nada se perde; só se encontra qualquer coisa. Há no fundo deste poço, como na fábula, a Verdade.
Sentir é buscar.”
.Fernando Pessoa

' Não acomodar com o que incomoda' [ T. M]

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Caçada que não é de Pedrinho.

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Barthes nos diz que a língua é fascista.  Estamos presos às amarras lingüísticas e a todas as ideologias que por elas circulam, já que a língua é por excelência, o veículo das ideologias. Não somos livres! Mas o próprio Barthes nos ensina o caminho da liberdade: ‘trapacear’ com a língua - artifício que só conseguimos através da Literatura.  Ao falar de nós e pra nós, nos fazendo passear por caminhos devolutos, experiências e dramas tão  comuns à essência humana, a literatura aproxima o abismo existente entre a vida e o homem. Vida essa que ‘não nos basta’, mas que a literatura preenche, na medida em que saltamos para dentro da história usando o ‘pó de pirlimpimpim’ e nos apropriamos das personagens, de seus medos, anseios, esperanças, alegrias.   Tenho sorte na vida... A minha infância foi uma floresta encantada e infinita. Por ela passaram lobos-maus, caçadores, sacis, iaras, príncipes, princesas! Sofri e senti medo da bruxa com o João e a Maria.  Aprendi com a Branca de Neve e os Se…

Das Frases Feitas.

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(...) Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais difícil operação das aritméticas humanas;
Dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos;
Dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegarmos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar emanharados, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos, e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida.

(José Saramago)

NÃO.

Não! Não vou me afligir por aquilo que não depende de mim.. Amizades gratuitas , que assaltam-nos sem pedir licença com cuidado e, despertam a delicadeza da alma devem ser celebradas. Não só pela raridade que possuem, mas para que a maldade alheia nunca prevaleça.
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Por quantas impossíveis geografias Ainda permaneceremos exilados na fronteira do equívoco Mesmo nos sabendo vizinhos de terras devolutas?
. Ezio Déda.

Liberto.

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O percurso mais íngreme  E contra a direção das torrentes É livrar-se de si .
Ezio Deda.





Dos dias que me amanhecem assim...

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"Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara." 

Eduardo Galeano

AMOR.

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“Não acabarão nunca com o amor, nem as rusgas, nem a distância. Está provado, pensado, verificado. Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço o juramento: Amo firme, fiel e verdadeiramente.”
 - Maiakóvski

Fale com Ela

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Espana-a- dor.

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tinha aprendido que era muito importante criar desobjectos.
certa tarde, envolto em tristezas, quis recusar o cinzento. não munido de nenhum artefacto alegre, inventei um espanador de tristezas.
era de difícil manejo – mas funcionava.

Ondjaki

Livr-e-o

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O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria”.
. Jorge Luís Borges in Ensaio: O Livro .

Dos desvios.

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Qual é a parte da tua estrada no meu caminho...

:)

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Meio-a-mei-o

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Amei em cheio


meio amei-o 

meio não ameio-o




[Leminski]

















E se..

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Se refazer o tempo, a mim, me fosse dado Faria de meu rosto de parábola Rede de mel, ofício de magia E naquela encantada livraria Onde os raros amigos me sorriam Onde a meus olhos eras torre e trigo Meu todo corajoso de Poesia Te tomava. Aventurança, amigo, Tão extremada e larga E amavio contente o amor teria sido .
Hilda Hilst

Por vezes, indócil.

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Estou à primavera das sensações indóceis. Florações extremas e, no entanto, mudas, só eloquentes de silêncio e olhar. Discretamente solitária, aguardo pela ventania inconfidente da alma, a fim de que ela cante minhas proezas, revele  minhas histórias, as sonhadas e as vividas. Minha quietude  é de bosques que trazem a urgência dos verdes, revivendo a cada estação, o definitivo da vida. Cresço inesperadamente  nessa temporada,  feita de noites arrastadas, consumida no ópio de palavras silenciadas pelo medo de morrer de amor. A estrada desses mornos dias é longa demais, a rotina é uma reta que desejo bifurcar porque sonho com curvas de mulher.Sonham as curvas comedidas em mim. Mesmo calando sussurros, palavras, frases inteiras, orquestro-me, alcanço as estrelas dos meus delírios, agigantada por dores e agonias, por  ilusões , sóis temporais, secretamente difundida  nas minhas entranhas, nas dimensões multiplicadas dos meus eus. Minha natureza sabe que, a despeito de quaisquer rios que eu…

Gratuidade das Aves e dos Lírios

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'Sempre que a gratuidade ousa em minhas palavras,  elas são abençoadas por pássaros e por lírios.
Os pássaros conduzem o homem para o azul,  para as águas, para as árvores e para o amor.
Ser escolhido por um pássaro para ser a árvore dele:  eis o orgulho de uma árvore.
Ser ferido de silêncio pelo vôo dos pássaros:  eis o esplendor do silêncio.
Ser escolhido pelas garças para ser o rio delas:  eis a vaidade dos rios.
Por outro lado, o orgulho dos brejos é o de serem escolhidos  por lírios que lhes entregarão a inocência.
(Sei entrementes que a ciência faz cópia de ovelhas, que a ciência produz seres em vidros -louvo a ciência por seus benefícios à humanidade, mas não concordo que a ciência não se aplique em produzir encantamentos.)
Por quê não medir, por exemplo, a extensão do exílio das cigarras?
Por quê não medir a relação de amor que os pássaros tem com as brisas da manhã?
Por quê não medir a amorosa penetração das chuvas no dentro da terra?
Eu queria aprofundar o que não sei, como fazem os cie…

Amizade : para lembrar de celebrar muito mais.

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A Amizade é um dos amores mais lindos. 
A melhor casa, melhor cara, arma e poesia. O nosso acordar mais bonito.

Priscila Rôde.

Dispa-me..Dispa-me..

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A noite/1


Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras.Se pudesse, diria  a ela que fosse embora; mas tenho uma mulher atravessada na minha garganta.


A noite/2


- Arranque-me, senhora, a roupa e as dúvidas. Dispa-me, dispa-me.




A noite/3


Eu adormeço as margens de uma mulher: eu adormeço as margens de um abismo.




A noite/4


Solto-me do abraço, saio as ruas. No céu, já clareando, desenha-se, finita, a lua. A lua tem duas noites de idade. Eu, uma.




Eduardo Galeano  In O Livro dos Abraços
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Frêmito do meu corpo a procurar-te. Febre das minhas mãos na tua pele Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel, Doído anseio dos meus braços a abraçar-te, Olhos buscando os teu por toda a parte, Sede de beijos, amargor de fel, Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte! E vejo-te tão longe! Sinto tua alma Junto da minha, uma lagoa calma, A dizer-me, a cantar que não me amas... E o meu coração que tu não sentes,
Vai boando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...
Florbela Espanca


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...ensinem-me a maneira de dar leis ao coração!"
(Florbela Espanca)

Memória.

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A memória guardará o que valer a pena.
A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo.

(Eduardo Galeano)

Desses amores..

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"Sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois."
Guimarães Rosa
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Tenho sua filosofia no que tange viver a antítese dos conceitos "estereotipados" pela humanidade... parecer ter tudo e sentir não ter nada, ou parecer não ter nada, tendo tudo!! Digo "parecer", pois possuir pra mim é inerente à idéia própria e não à matéria ou status... Estar em meio a uma multidão e devorado pelo vazio da solidão... falar sem mesmo dizer: isso não me refiro a observar  gestos e olhares, mas ler o sentimento pela ausência de palavras...isso é um dom bonito...parafraseando a semântica, é como enxergar o interior de um amigo pela imagem do silêncio. Escutar sem ouvir ,ora é dádiva, ora ignorância...a harmonia vem da medida da conveniência...mas em qualquer caso exemplifica mais uma vez que "ser" por uma declaração exterior é o mínimo ante o que proclama o interior: a inteligência pertence muitas vezes ao desprovido de ciência... os verdadeiros príncipes carregam em si o semblante da humildade que lhes credita o título, e são ricos na pobrez…

Tr-ama

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"Um monte de pó formou-se no fundo da prateleira, por detrás da fila de livros. Os meu olhos não o vêem. É uma teia de aranha ao meu tacto. É uma parte ínfima da trama a que chamamos história universal ou processo cósmico. É parte da trama que abarca estrelas, agonias, migrações, navegações, luas, pirilampos, vigílias, naipes, bigornas, Cartago e Shakespeare. Também são parte da trama esta página, que acaba por não ser um poema, e o sonho que sonhaste ao alvorecer e que já esqueceste. Há um fim na trama? Schopenhauer julgava-a tão insensata como as caras ou os leões que vemos na configuração de uma nuvem. Há um fim da trama? Esse fim não pode ser ético, já que a ética é uma ilusão dos homens, não das inescrutáveis divindades. Talvez o monte de pó não seja menos útil para a trama do que as naus que carregam um império ou que o perfume do dado."

-"Os Conjurados" - Jorge Luís Borges

A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos..

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A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos. Enquanto sentimos os males e as injúrias de Hamlet, príncipe da Dinamarca, não sentimos os nossos — vis porque são nossos e vis porque são vis.
O amor, o sono, as drogas e intoxicantes, são formas elementares da arte, ou, antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas amor, sono, e drogas tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se, e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio. Da arte não há despertar, porque nela não dormimos, embora sonhássemos. Na arte não há tributo ou multa que paguemos por ter gozado dela.
O prazer que ela nos oferece, como em certo modo não é nosso, não temos nós que pagá-lo ou que arrepender-nos dele.
Por arte entende-se tudo que nos delicia sem que seja nosso — o rasto da passagem, o sorriso dado a outrem, o poente, o poema, o univer…
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"Que boca há de roer o tempo? Que rosto Há de chegar depois do meu? Quantas vezes O tule do meu sopro há de pousar Sobre a brancura fremente do teu dorso?
Atravessaremos juntos as grandes espirais A artéria estendida do silêncio, o vão O patamar do tempo?
Quantas vezes dirás: vida, vésper, magna-marinha E quantas vezes direi: és meu. E as distendidas Tardes, as largas luas, as madrugadas agônicas Sem poder tocar-te. Quantas vezes, amor
Uma nova vertente há de nascer em ti E quantas vezes em mim há de morrer."
(Hilda Hilst)

O Jogo da Amarelinha...

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Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.
Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acaric…

Saudade(ando)...

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Tua saudade Que fosse metade minha
Que me encontrasse
Como as horas encontram o dia ...


[T.M.]










Maria Callas a Aristóteles Onassis...

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"Alinhavar as células uma a uma até termos um lençol de uivos caído sobre o ar. Por amor, entregar a voz, o corpo e a alma. Por amor, desmaiar sobre o palco com a depressão a escorrer-nos dos poros.
Tecer a pele e de súbito dizer: dobra bem nas pontas a fome - para que se ouça por dentro do gelo a chama desabrigada dos dedos. Por amor, entregar a voz, o corpo e a alma. Desafinar até ao silêncio.
Tactear coma ponta dos calos as rugas do tempo e no fim suspirar de alívio. Afinal foi só desmaio. Estamos vivos e insaciáveis como as sombras quando adormecem no colo do sangue. Por amor, entregar a voz. Por amor entregar."
-"Dança das Feridas" - Henrique Bento Fialho