sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010







Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

(Carlos Drummond de Andrade).

Eu te amo porque Te amo...




Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
eu te amo porque te amo.
amor é estado de graça e
com amor não se paga.

amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira,
no eclipse.
amor foge a dicionários
e a regulamentos vários

eu te amo porque te amo,
bastante ou demais a mim
porque amor não se troca,
não se conjuga
nem se ama
porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo

amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amo


Carlos Drummond de Andrade






"Brilha onde estiver Faz da lágrima o sangue que nos deixa de pé"



.TM

Qual o caminho da gente?
Nem para frente nem para trás: só para cima.
Ou parar curto quieto. Feito os bichos fazem.
Viver… o senhor já sabe: viver é etcétera

.Guimarães Rosa

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010



Desejo que o seu melhor sorriso, esse aí
tão lindo, aconteça incontáveis vezes pelo caminho. Que cada um deles
crie mais espaço em você. Que cada um deles cure um pouco mais o que
ainda lhe dói. Que cada um deles cante uma luz que, mesmo que ninguém
perceba, amacie um bocadinho as durezas do mundo.


.Ana Jácomo


Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;
e velhos, para que nunca tenham pressa "

( Oscar Wilde)

sábado, 18 de dezembro de 2010










"Esse é só o começo do fim da nossa vida..
deixa chegar o sonho prepara uma avenida que a gente vai passar..."

(Los Hermanos)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010



Minhas Palavras são extensões do meu corpo.Meus membros se apoíam nelas-daí que elas não serão nunca para o sujeito que sangra, meros reflexos ideiais, sublimados, inversões óticas da realidade. Quando a realidade está em jogo, quem toca uma de minhas palavras é como se tocasse na menina dos meus olhos... As palavras podem matar.


.Ruben Alves

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010



Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010




"É preciso força pra sonhar

e perceber que a estrada vai além do que se vê."

..

Los Hermanos - Além do que se vê

sábado, 4 de dezembro de 2010

E que a minha loucura seja perdoada...




Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.


( Metade- Composição: Oswaldo Montenegro)


" Bebendo o Sol de fogo e o mundo oco, meu coração é um almirante louco que abandonou a profissão do mar."


.Ariano Suassuna




quinta-feira, 2 de dezembro de 2010



"Possuo, um cemitério meu, pessoal, eu o construí e inaugurei há alguns anos, quando a vida me amadureceu o sentimento. Nele enterro aqueles que matei, ou seja, aqueles que para mim deixaram de existir: os que um dia tiveram minha estima e a perderam.

Quando um tipo me ofende, já com ele não me aborreço, não fico furioso, não brigo, não lhe nego o cumprimento. Enterro-o na vala comum de meu cemitério. Para mim, o fulano morreu, faça o que faça já não pode me magoar.

Encontro na rua um desses fantasmas, paro a conversar, escuto, correspondo às frases, aos elogios, aceito o abraço, o beijo fraterno de Judas. Sigo adiante, o tipo pensa que mais uma vez me enganou, mal sabe ele que está morto e enterrado"

Jorge Amado, "Navegação de Cabotagem" (Memórias)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sinto vergonha de mim!

"Por ter sido educadora de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.



Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
Que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.



Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.



'Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo
que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...



Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.


Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!


"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".



Cleide Canton

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

(Foto: Nikki Jane)



"[...] Mas o que não associo eu a ela? O que não a traz à minha memória? Se olho para estas lajes, vejo nelas gravadas as suas feições! Em cada nuvem, em cada árvore, na escuridão da noite, refletida de dia em cada objeto, por toda parte eu vejo a sua imagem! Nos rostos mais vulgares de homens e de mulheres, até as minhas feições me enganam com a semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de testemunhos de que um dia ela realmente existiu e a perdi para sempre!"

.
Emily Brontë