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Mostrando postagens de 2015

Insônia.

é nas noites  em claro que escureço-me.
Tão leve a moça,
em suavidade...
Bailarinas eram feitas de nuvem? .

É que as coisas líquidas e fugidias
aportam em mim.
E quando toca-me, escorro,
cheia.
Porque era letrada l e t r a d a m e n t e Lia-me, à luz de qualquer  poesia.
Há muito temor no tremor que sinto.
Entre o meu querer e o seu tanto faz mordo a língua. permito-me arder.
Só estou rio Para ser degustada À conta-gotas.
Pinta a minha boca

derrama o meu riso


brinca com o meu corpo


como se fosse o teu



circo.
E nunca navegar pelo 
teu corpo
sem antes, aportar 
em tua alma.
Céu cinza
tinge 
Tudo
de
Triste 
A folha 
As ideias.
nada
nem a vontade
insiste.
Só acho que  A gente podia se  ver no  ar  Noite afora,  Sol adentro ...
há tanto sol aqui dentro
mas é em noite de lua
que o coração
estremece.
Cada palavra é uma lâmina. É por isso que quando a moça escreve, o dedo sangra.
Unir versos e mãos
Rir da não -rima
Sê entrega, coração.
Vestida de sono,  alma desnuda Teus silêncios me atravessam.
Dessaber o tédio , a aflição Apreender o gesto, morder a vida. saborear com as mãos.
Insólito sólido:

um mar de lirismo

mergulhado no céu

de seus olhos.
dentro. sem soltar , descansemos.
Lâmina na língua. Algum gosto  de sonho. E os pezinhos lá no céu.
Não se alcança o céu sem perder o chão. Por isso, não há térreo, nem teto em mim. Só tento. E nuvens.
''Com olhos de fome, Morde o lábio e convida... Ai de mim - que nada! Mal sabe ele que sou o  próprio Lobo numa chapeuzinho encenada.''
"Há um poema. Feito de memórias, à batida exata do teu coração. Há um poema. Um poema em que esqueceu a magia das brincadeiras da infância, o bolinho de chuva da avó, as histórias ao pé da cadeira de balanço do avô.  Neste poema, ainda paira o mundo onde a ternura era uma janela a fechar o medo e a frieza desse tempo. Há um poema. Procuro-o hoje nos teus gestos mais comedidos e vagos, na tua voz perdida na solidão das cidades.  Procuro-o nas madrugadas ,quando sozinha, tua tristeza se faz derramada. Há um poema. Deve haver mesmo esse poema perdido, num lugar que só você sabe. Há um poema. Persigo-o ansioso, guiado pelo instinto de pensar o teu rosto o rosto desse poema, teu corpo, seus versos, tua boca, toda a poesia nele contida. Há um poema. Eu sei. Vou escrevê-lo através da pontuação do teu fôlego.  Pode ser que eu até estremeça ao descompasso da tua respiração,mas escrevê-lo-ei naquele lugar, onde dos teus olhos, eu sinta o aroma das brincadeiras da tua infância."
Arranca-me o batom só pra depois limpar  do teu rosto,  a cor  do meu gosto.
Estalar os ossos
Destilar do sangue o pavor
o medo

Ocupar a mão com um punhado de
Estrelas.

Embebedar de coragem.
Suster na terra ,
os pés.

Envergar a luz dos olhos,
Enche-los de céu.

Deixar - se viver.
Líquida.

Resiliência

Você   atravessa minha pele,
rasga a minha alma.

Submete minha carne 
à insensatez de suas palavras.

Abuse enquanto ainda há tempo.
Arrasa-me enquanto pode .

Tenho sentido tua navalha,
mas fique esperto, 
aprendi muito com  teus cortes. 

A vida é tão rara...

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A morte é pontual, embora  intrusa.   Chega. Cruelmente interrompe os ciclos.
 Ensuderce o silêncio. Acorda a solidão..
 Mas, também  desperta-nos o que o poeta há tempos grita: 
''A vida é breve. E o amor mais breve ainda..''
 Vivamos!



É que os olhos rastejam pelas coisas, Com o espasmo de quem Toca o limiar da morte... Esses sóbrios móveis não me explicam... A frígida cidade não me explica. Os dicionários não me explicam... Mas, essa coisa vaga, indefinida G R I T A Na morada indócil e enclausurada Do que sou. Já não me suicido, Por hoje.
Estalar os ossos
Destilar do sangue o pavor
o medo
Ocupar a mão com um punhado de
Estrelas.
Embebedar de coragem.
Suster na terra ,
os pés.
Envergar a luz dos olhos, 
Enche-los de céu.
Deixar - se viver.
Líquida.

(...)

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Ela afundou o corpo nele o mais que pôde, como se assim pudesse aprisionar um instante, como se assim pudesse aprisionar o amor. E ele, querendo as respostas que a vida não lhe entrega e que só uma mulher é capaz de abrigar dentro de si, puxou os seus quadris com a ânsia de escorregar para dentro dela e ali ficar.  Só uma fêmea é capaz de dividir-se assim ao meio: a metade de baixo a sobrepor-se forte, desfalecendo as resistências do macho e a de cima a ampará-lo doce, beijando e acarinhando os medos de um filhote. 
(Rita Apoena)
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Fico com a minha alegria de ter pão e ter saúde e com a minha tristeza de  sentir dor de cabeça. O resto, quando vem, eu oro.

Clarice.
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Esgarça as linhas. Nua Desata o tempo.
Resistir à fome, porque a memória é olfato, paladar E tato. Resistir ao arrepio,  Quando o corpo é mais abraço e menos  Roupa. Café. Para tirar o gosto dele da minha boca.
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Sussurra-me ao ouvido, Bálsamos, brisas  ( algumas estrelas) Da tua boca , o meu gosto:  Acordes, febre, poros e pele. corro por tuas fronteiras  impregnando meus cabelos de céu. Instante bruto. imenso-me.
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desprender tua vida
soltar a minha até que 
nos alcancemos
líquidos.
Porque nos quero - solúveis.

Porque há coisas que me causam alergia.

Tenho estado a observar algumas notas sobre as demissões de alguns funcionários da Casa Anísio Teixeira, que vão desde o sensacionalismo ridículo daqueles que pensam fazer jornalismo por estes carrascais à desabafos pessoais de figuras que explicitamente usam de seus motivos para acusarem a Administração de ineficiente, desorganizada.  Venenos destilados à parte, a Casa é mais uma fundação que sofre a pena de se trabalhar com a preservação da cultura nesse país.
Bem, tais percalços nunca impediram-na de ações significativas e de grande valia no campo sociocultural. Não é à toa que é referência na região.  Não é à toa que é chamada de “Casa” - mantém além de paredes, na sua dinâmica cotidiana, o aconchego de um lar. Enquanto leitora, é inadmissível concordar que o acervo da CAT esteja “sucateado”. Pelo contrário, a título de atualização, a Biblioteca da Casa conta com as mais recentes publicações literárias – dos grandes nomes da literatura hispano-americana à reedição dos grandes câno…
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Arranca-me o batom só pra depois limpar  do  teu rosto,  a cor  do meu gosto.

Na via do contrário.

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Não sei outro jeito de amar A não ser  esse  Minucioso, terrível, lindo Que  doí  suave , Aflito  ante à efemeridade das coisas. Vivo a fazer-me egoísta, Esquivo do abraço.  colo. calor. Da proximidade que revela o fôlego, O ritmo do coração . Nada adianta. Apesar da teimosia,  O amor me pega é assim,  Na contra-mão.
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Torço o poema. Meu sangue, a última gota.