Da travessia.

Silêncio corrompido é tremor,  febre na tênue cortina da pele. O silêncio nos subtrai, pouco a pouco, aponta a fronteira do indizível. Suspende a respiração. Aumenta a sede.  Avança sobre nossas  fotografias  nunca antes reveladas, faz a memória de carrocel . Desconsidera  o tempo que há além-nós. Impiedoso, costura na carne o exato momento. É luz nas horas. De súbito, a vontade se amorna, e se vê  cores no medo, medo nos olhos . Pela imprecisão dos ponteiros somos envolvidos.A brisa assoprada ao pé do ouvido... A brisa espalhando todo tipo de  vento, toda a fome. Fome anterior e perpétua, oblíqua das horas e das repetições todas.  Arrepio. Nossas esquinas. Becos e vielas. O contraste projetado na pele, fere.. Infinitas trilhas. tantos caminhos e nenhum. Tantos caminhos e um só. Água esvaindo, invadindo nossas superfícies e poros. Estradas abertas. O dentro e o fora e o não-mais. Apalpamos o silêncio com nossos olhos . Fixamos o abraço. As tréguas? de lado. O Fôlego? submerso na imensidão das bocas. A mesa ? estática. O livro ? esquecido. Sobre nós, desatados os nós. Incansáveis e inalcançáveis encruzilhadas.Atravessamos, hesitantes e de uma vez por todas. Atravessamos o  mar que é o medo do mar, lágrima e sal.  amor  num átimo, e de uma só vez . Sede voraz. Boca  que seca. E ainda assim, atravessamos. O fogo e a coragem do fogo. Depois, nem medo ou coragem.  Vida amortecendo a morte. Teu nome impróprio rasurando minha pele. Escreve em linhas tortas.  Febre. Suspiro. Chove imprecisão, precisão. Gemido. É doce a chuva que violenta as vontades. Mistério último, alhures do tempo. Turbilhão de esperas. Travessia? Intempéries. Atravessemos o mar revolto. Atravessemos-nos enquanto incessantemente somos atravessados. Enquanto a sorte não nos separa.
                                                                                                                            

Comentários

  1. Lane como você é passional!!! Apaixonada, intensa na suavidade de suas palavras!!! Sei lá, me da até aperto no peito, vontade de correr para alguém cujos braços não estão abertos esperando meu corpo.... Uma pena, uma solidão, uma lagrima e palmas para seu poema...

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    1. Poxa Pand, obrigada pelo comentário! Eu ri do passional . rs. Em se tratando de paixão, tudo para mim ainda é melancolia , um medo solitário e uma guerra de vontades e contra-vontades! Que bom que gostou! Um beijo!

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