domingo, 25 de agosto de 2013

Na Ribalta.




Há um quê de nostalgia nos olhos do palhaço enquanto percorre todas as idades. 
Em que lugar do sonho perdeu seu nariz?


Há uma inquietude na alma da bailarina.  
Seus passos, tropeço. 
O Caminho, só lâmina para aquela que andava sempre nas pontinhas dos pés.   
Roubaram-lhe as sapatilhas.

 Se não há nariz, o riso do palhaço é navalha. 
Bailarina descalça corta o pezinho.  
Já não brincavam.  Ele, condoía-se por não mais saber fazer rir. Ela, soube pela primeira vez como é  delicado e cruel ter os pés no chão.  Sangravam.

  Sangue no picadeiro. 

(...)

Gotinhas vermelhas? Seria elas algum indício de seu nariz?  
Ruborizou as bochechas, o tom era esperança.   
Seguiu  tortos passos. Passos  ou o coração? 

Encontro.

Das mãos dela,  recebeu sua última gargalhada.  Tão harmonioso foi o riso que  a gravidade parou a ouvi-lo. 
  Abraçou novamente a alegria. Abraçou a moça.
 Pediu-lhe sua última dança

Tão leve a moça, em sua suavidade... Bailarinas eram feitas de nuvem? .
Perderam-se em rodopios.  

(...)
O picadeiro já não existia. Os rostos da plateia  eram notas dissonantes...
Já não dançavam  conforme a música...  Nos acordes do sonho, Flutuavam . Porque  enquanto ela  sorria , ele seguia seus passos.




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