terça-feira, 27 de agosto de 2013

Let me rain ...



De tempos em tempos, a fragilidade inunda e a gente deságua violentamente.
 Nesses dias a alma parece querer fugir, ir acontecer em outro canto.  

 Só que alma não sai para fazer visitas, apenas tenta. Cada tentativa de fuga a engasga e acaba por nos deixar às sós  com a nossa solidão. 
É exatamente nessas horas que a vontade de quem amamos começa a cortar a carne como navalha. Vontades ardem ... 

Há um suplício absoluto e íntimo nesses dias.  Gritamos surdamente pedindo um  colo , um abraço que abrande o caos absurdo de nossas ruas , clamamos para que alguém seja o  silêncio capaz de calar o alvoroço que invade nossos ouvidos.  

Em meio à tantas surdas vontades,  a inundação continua  e amordaça nossa  alegria. 
Nesse afogamento, quem aparece para o milagre da comunhão? Quem estende o braço que nos aporta de forma segura e não nos deixa arrastar pela  correnteza afora?

A ausência de quem amamos nos momentos mais precisos torna o tempo mais imprevisível, aumenta a tempestade, impulsiona as enchentes, dá truculência ao mar.  E se o mar está revolto, choremos sua imensidão. Até porque o amor é uma coisa e a vida é outra...

 A vida sempre terá seus tormentos, independente da gente ter ou não um amor , um alguém de braços estendidos e coração  à espera  para acolher nossa  implacável solidão. 
Afeto distante é lâmina , é  ausência que estraçalha.

Já não imploremos pelo o outro ...

 Saibamos chover. Às vezes o céu desaba  e é preciso força para que a beleza da verdade em nós não escorra numa  enchente e termine  num bueiro qualquer, por mais que doa a falta de um cuidado, por mais que nos doemos por  nos doar constantemente  ao outro. 

Nem toda a alma possui a leveza do reconhecimento. Deixemos-nos chover com verdade. Esperança em dias tão-úmidos também é milagre.  E a verdade nos recomeçará milagrosamente. Eu creio.

2 comentários:

  1. Achei esse verso aki genial: "Nesses dias a alma parece querer fugir, ir acontecer em outro canto. " Se eu tivesse lido isso há algumas semanas atrás me identificaria totalmente. Esse outro tb marcou muito: " Saibamos chover. Às vezes o céu desaba e é preciso força para que a beleza da verdade em nós não escorra numa enchente e termine num bueiro qualquer, " coloquei lá no facebook pra divulgar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fico feliz em saber que gostou do texto, Alê. Vejo muita beleza na desistência e na aceitação da tristeza, não podemos estar acima do bem e do mal n é mesmo? É bom viver a dor tb, faz nos esperar com força o amanhã. Abraços! Obrigada!

      Excluir

Cultive sua flor... ઇ‍ઉ