sábado, 31 de agosto de 2013

"Calar é fina forma de amar"



De todos os sentimentos humanos talvez seja o amor aquele que mais se adorne delicadamente. 



Amor tende a botar reparo e engenho em nós. Necessita de limites precisos e só acontece de verdade, quando é naquela perfeita dose. Meio-copo, Dose insuficiente. Amor não é. Em dose demasiada, deixou de ser.

Amor transforma qualquer normalidade em desequilíbrio. Tira-nos do eixo, dá nos insônia, faz-nos avesso, incomoda em excesso e ainda assim, sabemos que é esse o lugar certo para se estar.

Vez ou outra, o amor caminha pelas ruas dos contrários dentro da gente e exige um espaço ainda-e-sempre vazio,  para que o outro seja refúgio quando necessário for.

Porque amor , na dose certa, conhece os lugares exatos onde nossas estruturas trincam, onde nosso céu desaba e faz tudo ruir . 

Há ainda , muito amor na contradição.
Ela adoça nosso copo com umas pitadinhas de verdade, mostra quem amamos despido, na crua forma de sua natureza humana.
Então, do outro, descortina-se os defeitos, os espaços de desencontros, as falhas ... Ama-se melhor na contradição, porque o outro nem sempre quer ser entendido - amor desconsidera sabatinas e sermões.

Talvez a dose certa do amor esteja mesmo na aceitação...
No olhar que namora o silêncio em vez da correção, no abraço que acolhe o coração daquele que verdadeiramente te ama, mas que algumas vezes se perderá entre os desacordos da própria existência. 

Em se tratando de amor, ouvir é requinte.
Já disse o Affonso Romano de Sant'Anna:

Calar, às vezes,
é fina forma de
AMAR.

Amar é tênue. E desfazer o silêncio do outro  derrama toda a dose.
Amor  tem mais verdade quando mora no cuidado.   
 Te quero bem. Te cuido também!

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