segunda-feira, 9 de março de 2015

Porque há coisas que me causam alergia.



Tenho estado a observar algumas notas sobre as demissões de alguns funcionários da Casa Anísio Teixeira, que vão desde o sensacionalismo ridículo daqueles que pensam fazer jornalismo por estes carrascais à desabafos pessoais de figuras que explicitamente usam de seus motivos para acusarem a Administração de ineficiente, desorganizada.
 Venenos destilados à parte, a Casa é mais uma fundação que sofre a pena de se trabalhar com a preservação da cultura nesse país.

Bem, tais percalços nunca impediram-na de ações significativas e de grande valia no campo sociocultural. Não é à toa que é referência na região.  Não é à toa que é chamada de “Casa” - mantém além de paredes, na sua dinâmica cotidiana, o aconchego de um lar.
Enquanto leitora, é inadmissível concordar que o acervo da CAT esteja “sucateado”. Pelo contrário, a título de atualização, a Biblioteca da Casa conta com as mais recentes publicações literárias – dos grandes nomes da literatura hispano-americana à reedição dos grandes cânones como Vinicius de Moraes e Drummond - coisa que o Campus da UNEB, com dois cursos de Letras não possui. Isso nem é o mais importante, mas sim, o público cativo.

Falo agora com o olhar admirado de professora que encontrou várias vezes seus alunos utilizando o espaço da Biblioteca e também observou a rotina de vários outros alunos, que geralmente saem de suas escolas e ‘no meio do caminho’ passam pela biblioteca. 
O acervo da CAT é diverso, atende o gurizinho que participa do clube do gibi mas também satisfaz a sede daqueles que precisam fazer uma pesquisa escolar, que querem dar um passeio pela fotografia, pelo teatro, pelo cinema.  

Em meio à Literatura, somos privilegiados com o trabalho de pessoas que conseguiram  fazer teatro e formar um público para isso. 
Gente assim, que acredita e porque acredita, faz acontecer, gente que foge dos discursos estoicos, evasivos e por isso mesmo,faz teatro no alto sertão.

Confesso que muitas das  minhas experiências   culturais ocorreram por intermédio de ações da Casa Anísio Teixeira.  Excelentes espetáculos teatrais, de dança, música.  Qual outra cidade tem show de chorinho em plena praça pública? Ou  alguma atração musical que traz em seu repertório  Vinicius, Tom Jobim, Elomar ?


 O mais legal disso é que tudo acontece de forma democrática, o acesso é gratuito. A feira-livre vira a ribalta, assim como a praça, vira o palco. 
É interessante também a preocupação da Casa com a transmissão de conhecimento.  Há na CAT uma sala de contação de histórias- muito bem utilizada. Nas muitas oficinas de formação que participei, havia sempre um funcionário lá, se inteirando e aprendendo, para assim, poder repassar novos saberes aos visitantes/frequentadores e demais funcionários.

Sei que nenhuma gestão é perfeita.  Mas, sair por aí falando o que não sabe - por dilemas pessoais – ultrapassa os limites do bom senso, é feio. É injusto.
Ademais, já disse o João Cabral “a vida não se resolve com palavras”. Proferir discursos de ódio, críticas agressivas, que muitas vezes não correspondem à realidade da Casa não resolve.
Já não me surpreende atitudes como essas supracitadas, advirem de pessoas que se dizem militar pela ‘Cultura’.  Vê-se bem que à estes, faltam algumas leituras. Quem sabe um passeio pela obra do Lévi-Strauss ou uma conversinha com as vozes da tradição?  Uma ida ao teatro? Mais visitas à CAT?

 Garanto que materiais teórico e humano, não faltarão.

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