sábado, 25 de agosto de 2012

Espana-a- dor.





tinha aprendido que era muito importante criar desobjectos.
certa tarde, envolto em tristezas, quis recusar o cinzento. não munido de nenhum artefacto alegre, inventei um espanador de tristezas.
era de difícil manejo – mas funcionava.

Ondjaki

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Livr-e-o




O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria”.

. Jorge Luís Borges in Ensaio: O Livro .

domingo, 19 de agosto de 2012

E se..






Se refazer o tempo, a mim, me fosse dado
Faria de meu rosto de parábola
Rede de mel, ofício de magia
E naquela encantada livraria
Onde os raros amigos me sorriam
Onde a meus olhos eras torre e trigo
Meu todo corajoso de Poesia
Te tomava. Aventurança, amigo,
Tão extremada e larga
E amavio contente o amor teria sido .

 Hilda Hilst

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Por vezes, indócil.



Estou à primavera das sensações indóceis. Florações extremas e, no entanto, mudas, só eloquentes de silêncio e olhar.
Discretamente solitária, aguardo pela ventania inconfidente da alma, a fim de que ela cante minhas proezas, revele  minhas histórias, as sonhadas e as vividas. Minha quietude  é de bosques que trazem a urgência dos verdes, revivendo a cada estação, o definitivo da vida. Cresço inesperadamente  nessa temporada,  feita de noites arrastadas, consumida no ópio de palavras silenciadas pelo medo de morrer de amor. A estrada desses mornos dias é longa demais, a rotina é uma reta que desejo bifurcar porque sonho com curvas de mulher.Sonham as curvas comedidas em mim. Mesmo calando sussurros, palavras, frases inteiras, orquestro-me, alcanço as estrelas dos meus delírios, agigantada por dores e agonias, por  ilusões , sóis temporais, secretamente difundida  nas minhas entranhas, nas dimensões multiplicadas dos meus eus. Minha natureza sabe que, a despeito de quaisquer rios que eu navegue, desembocarei sempre em versos livres; e assim será até que as flores perfumem alegrias e tragédias.




Roberta Tostes.