domingo, 31 de maio de 2015

É que os olhos rastejam pelas coisas,
Com o espasmo de quem
Toca o limiar da morte...
Esses sóbrios móveis não me explicam...
A frígida cidade não me explica.
Os dicionários não me explicam...
Mas, essa coisa vaga, indefinida
G
R
I
T
A
Na morada indócil e enclausurada
Do que sou.
Já não me suicido,
Por hoje.
Estalar os ossos
Destilar do sangue o pavor
o medo
Ocupar a mão com um punhado de
Estrelas.
Embebedar de coragem.
Suster na terra ,
os pés.
Envergar a luz dos olhos, 
Enche-los de céu.
Deixar - se viver.
Líquida.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

(...)








Ela afundou o corpo nele o mais que pôde, como se assim pudesse aprisionar um instante, como se assim pudesse aprisionar o amor. E ele, querendo as respostas que a vida não lhe entrega e que só uma mulher é capaz de abrigar dentro de si, puxou os seus quadris com a ânsia de escorregar para dentro dela e ali ficar. 
Só uma fêmea é capaz de dividir-se assim ao meio: a metade de baixo a sobrepor-se forte, desfalecendo as resistências do macho e a de cima a ampará-lo doce, beijando e acarinhando os medos de um filhote. 

(Rita Apoena)