quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Do café.








Resistir à fome,
porque a memória é olfato, paladar
E tato
Resistir ao arrepio,
Quando o corpo é mais abraço e menos
Roupa.

Café.

Para tirar o gosto dele da minha boca.
Sussurra-me ao ouvido,
Bálsamos, brisas 
( algumas estrelas)
Da tua boca , o meu gosto: 
Acordes, febre, poros e pele.
corro por tuas fronteiras 
impregnando meus cabelos de céu.
Instante bruto.
imenso-me.




Ela caminha em tortas  linhas

Tatua   poemas
À tinta-sangue

Se faz riso
pele e cartilagem, 


À deriva no tempo, 
 Equilibra-se
 antiga.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014



Há um poema.  Feito de memórias, à batida exata do teu coração. 

Há um poema. Um poema em que esqueceu a magia das brincadeiras da infância, o bolinho de chuva da avó, as histórias ao pé da cadeira de balanço do avô.   Neste poema, ainda paira o mundo onde a ternura era uma janela a fechar o medo e a frieza desse tempo.

Há um poema. Procuro-o hoje nos teus gestos mais comedidos e vagos, na tua voz perdida  na solidão das cidades.   Procuro-o nas madrugadas ,quando sozinha, tua tristeza se faz derramada.

Há um poema. Deve haver mesmo esse poema perdido, num lugar que só você sabe.
Há um poema. Persigo-o ansioso, guiado pelo instinto de pensar o teu rosto o rosto desse poema, teu corpo, seus versos, tua boca, toda a poesia nele contida.

Há um poema. Eu sei.  Vou  escrevê-lo  através da  pontuação do teu fôlego.  
Pode ser que eu  até estremeça ao descompasso da tua respiração,mas escrevê-lo-ei naquele lugar, onde dos teus olhos, eu sinta o aroma das brincadeiras da tua infância.

domingo, 7 de dezembro de 2014


É que os  olhos  rastejam pelas coisas,
Com o espasmo de quem
Toca o limiar da morte...

Esses sóbrios móveis não me explicam...
A frígida cidade não me explica.
Os dicionários não me explicam...


Mas, essa coisa vaga, indefinida

G
R
I
T
A

Na morada indócil e enclausurada
Do que sou.


Já não me  suicido,
Por hoje.