domingo, 28 de abril de 2013

50 Receitas...






O que me dá raiva
São as flôres
E os dias de sol
São os seus beijos
E o que eu tinha
Sonhado prá nós...

[Leoni]

terça-feira, 23 de abril de 2013

No dia Internacional do Livro : BC Para comemorar !!


Muito me entusiasmei com a proposta de BC feita pela Aleska, afinal, trata-se de uma das coisas que mais amo nessa vida : Leitura. Porém, confesso que ao sentar agora para escrever esse texto , percebi o quão difícil será escrever sobre o meu autor preferido ! Simplesmente porque eles são vários – ... E o meu amor , de fases.. rs rs . 

Bem, a leitura faz parte de minha vida desde que me entendo por gente. Dom Quixote e eu fomos ótimos companheiros de viagens pelas linhas mágicas da Literatura. E a literatura oral construiu os primeiros degraus dessa escadinha sem fim que é a leitura. Parando agora para pensar, desde criança eu já tinha certa predileção para a poesia. E não é à toa que os meus autores favoritos são todos poetas. 

Quando adolescente, fuçando a biblioteca da escola, encontrei um livrinho da Florbela Espanca. Gostei do nome da autora e só por isso, peguei o livro pra ler. E não é que aquela menina encontrou na Florbela tudo aquilo que estava sentindo? Sim, a adolescência beira aos extremismos, e adolescente que fui sofreu bastante com um amor platônico, que lhe parecia impossível. 

É tão bom quando nos encontramos numa leitura , quando paramos  por um momento e pensamos : “Nossa, eu deveria ter escrito isso!” “ Isso foi escrito para mim” . Por um bom tempo, a Florbela escrevia para mim. E até hoje guardo na memória uma estrofe do poema ‘ Os versos que te fiz’, que tempos atrás, me dizia tanto ..tanto : 


Amo-te tanto! E nunca te beijei... 

E nesse beijo, Amor, que eu te não dei 

Guardo os versos mais lindos que te fiz! 



A fase lírico-dramática passou . (UFA!) e caí nos braços de um senhor admirável, o Machado de Assis. Viajei pelas páginas de Dom Casmurro e fiquei perdidamente apaixonada. A famosa descrição dos olhos de Capitu é uma das partes do livro que mais me encantou , tanto, que fui atrás dos outros livros do autor . Gostei demasiadamente de Memórias Póstumas.Na época , esquecia até de comer e dormir para ficar lendo (...)


“Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me (...)”.

Machado de Assis , para mim, é espetacular. Minha referência no romance brasileiro. E Lobato,  o autor da minha infância e é sem dúvidas, um dos melhores autores que temos. 


Já na  faculdade , tive a honra de ter encontrado um amigo mais do que um professor – O Roger. E se eu estava submersa nesse país das maravilhas que é a leitura, ele conseguiu me afundar ainda mais. 


Foi através das aulas do Rogério que conheci a Literatura Hispano-americana. Encontrei-me com o Gabriel Garcia Marquez e fiquei extasiada.  O Julio Córtazar, tem qualquer coisa de lindo . Mas a melhor coisa que o Rogério já fez por mim nessa vida foi ter me apresentado ao Manoel de Barros. Desde então, ele figura ao lado dos meus mais queridinhos e amados: Fernando Pessoa e João Cabral de Melo Neto. 

O meu encantamento pelo Manoel reside no poder que sua poesia tem de me fazer visitar novamente a infância, de adornar a vida de uma simplicidade tamanha, capaz de me fazer sentir o olhar de Deus. 

E o “apanhador de desperdícios” tem me alimentado diariamente com sua poesia. 

O João é um caso de amor antigo e meio truncado . Nos conhecemos no ensino médio e o livro didático fez questão de trata-lo como romancista e não como poeta. Resultado : fiquei intrigada com a escrita dele e achando que Morte e Vida Severina seria mais um romance chato , que provavelmente cairia no vestibular. 

A chateação por não ter entendido patavina [sempre quis usar essa expressão] foi tanta que decidi ir atrás do livro para ver de fato o que esse tal João Cabral estava falando. Afinal, quem ele pensava que era? Escrevia para não ser entendido? Onde já se viu ? 
Fui atrás e tive um choque : Ele era um poeta. Mas um poeta tão diferente ... que continuei lendo –o ,mas sem entende-lo. 

A minha compreensão sobre a obra do João Cabral só se deu , de fato, quando comecei a cursar letras, a estudar literatura, poética , linguagem..

 E hoje , depois de descortinado o universo da poesia cabralina, já não há volta ! Minha paixão por ele é declarada. A admiração então... é tanta que ele se tornou o objeto de pesquisa para o meu trabalho monográfico. 

 Foi essa admiração que fez com que a minha colega Mônica, também se apaixonasse e embarcasse nessa louca , hermética , mas incrível viagem que é a poética do João . Ah, não posso esquecer de mencionar que foi através da poesia dele que conheci um dos meus melhores amigos , e tenho certeza que toda essa identificação com o João é a coisa que mais nos aproxima e edifica nossa amizade . ^^

 ah! ah!...Em se tratando do João , fico aqui suspirando e querendo que ele tivesse escrito o poema Paisagem pelo Telefone especialmente para mim ... “a água clara não te acende: libera a luz que já tinhas”  [ Leiam, leiam- é Lindo! rs ]
Mas se há nesse mundo um poeta para mim, ele é o Fernando Pessoa. Nem vou me demorar muito a falar dele , primeiro porque penso ser impossível mensurar o quanto ele é bom, segundo porque seria muita tietagem. 

Encontro na poesia do Fernando , as pessoas de mim. É o poeta que mais conseguiu se aproximar daquilo que eu sinto, do modo como vejo e contemplo a vida . Tenho a impressão que ele me conhece mais do que eu mesma.

Enfim,  Devo ser um Álvaro de Campos tentando ser e ter a sabedoria do Alberto Caeiro... Quem sabe um dia, eles se encontrem definitivamente! 










PS1 -  Não falei no texto, mas amo também o Leminski rs rs

PS2-  Obrigada Aleska por compartilha conosco  essa ideia tão legal ^^

PS3 - Feliz dia Internacional do Livro, gente! 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Djavaneando...




Teus sinais
Me confundem
Da cabeça aos pés
Mas por dentro
Eu te devoro,
Teu olhar
Não me diz exato
Quem tu és
Mesmo assim
Eu te devoro...

terça-feira, 16 de abril de 2013

Capitu ...



(...) "olhos de cigana oblíqua e dissimulada.” Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas (...)

Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me (...)

Dom Casmurro. 

domingo, 7 de abril de 2013

Das chegadas...


 ... Chegava à casa, abria a cancela, chegava à casa , desapeava do cavalo, chegava em casa. A felicidade é o cheio de um copo de se beber meio-por-meio; Doralda o esperava. Podia estar vestida de comum, ou como estivesse : era aquela onceira macieza nos movimentos, o rebrilho  nos olhos acinte , o nariz que bulia - parecei que a roupa ia ficando de repente folgada , muito larga para ela, que ia sair de repente , risonha e escorregosa , nua , de de dentro daquela roupa. Estavam deitados; um cachorro latia em alguma parte;  Soropita tinha suas armas, o revólver grande debaixo da cama , o oxidado , o ' crioulo' , ou a automática, debaixo do travesseiro. Se era nas águas, chuviscava lá fora, a gente seguia o merecido empapar da terra, do demolhar das grandes folhagens. Agora, era a seca, o friinho feliz, que enrugava tudo.
Doralda lá, esperando querendo seu marido chegar, apear  e entrar. Ao que era, um pássaro que ele tivesse, de voável desejo, sem estar engaiolado, pássaro de muitos brilhos, muitas cores, cantando alegre, estalado, de dobrar . Chegar de volta em casa  era mais uma festa quieta , só para o compor da gente mesmo, seu sim, seu salvo. De tão esplêndido, tão sem comparação, perturbando tanto, que sombreava um medo de susto, o receio de devir alguma coisa má, desastre ou notícia , que , na última da hora , atravessasse entre a gente e a alegria, vindo do fundo do mundo contra as pessôas ...



Guimarães Rosa - Noites do Sertão