quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

E por falar em Heróis...



  É claro que  para uma blogagem coletiva com o tema ‘ Meu Herói ou Heroína de Infância’    o protagonista da minha história teria que ser o aracnídeo mais querido dos quadrinhos e da telona: O Homem Aranha!

Nunca fui fissurada em heróis  e hoje  perdi totalmente o interesse  por eles,apesar do hiper-realismo causado por tantos efeitos especiais. A gente cresce né, vai conhecendo novos temas, fazendo novas e mais complexas leituras. 
Porém, assim como o mestre Saramago , procuro viver de forma a não envergonhar a criança que fui.

 E essa criança amava o Peter Parker porque percebia nessa personagem muita humanidade e aquela ‘normalidade’ que circunda as pessoas ‘ reais’. Peter era um cara tímido, que tinha problemas financeiros, familiares, amorosos. Tinha até crise de identidade! Algo tão comum na adolescência – e talvez seja essa a diferença do Parker: diferente de todos os outros heróis, ele era um adolescente!

Excelentíssimo Aranha.
Bem, só sei de uma coisa: O sr. Stan Lee foi muito feliz em criar  um herói que falasse diretamente aos adolescentes , envolvendo-o numa trama  muito bem elaborada  adornada com o gosto das histórias policiais. Pensar num herói com as habilidades daquele animalzinho que geralmente nos causa aversão foi ou não foi uma ideia brilhante?

*________*

 O Homem-Aranha é aquela história que estará para sempre guardada na minha memória afetiva.  Aquela história que a gente lê na infância, mas que leva os ensinamentos contidos nela para a vida toda. Quem nunca ouviu a célebre frase do Tio Ben 
“com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”?



Como esquecer dessa cena clássica ?
 No mundo criado por Lee, a gente nota que não é preciso ter poderes sobrenaturais para ser um pouco herói na vida. Assim como no mundo da  J.K Rowling, em que  a coragem e a amizade garantiam sempre a  vitória das aventuras de Harry.

O trio Harry, Hermione e Rony, são sem dúvida, meus heróis do mundo literário.  Passei a infância e cresci com eles, a cada novo livro, a cada novo filme. 
Mas a minha infância nem sempre foi habitada pelos mocinhos... 
Inesquecíveis


Nela tb fazia morada a senhorita Carmen San Diego, a vilã mais sexy e linda de todos os tempos..hehe.
Quem se lembra dela?   Carmen, aquela guria órfã que foi adotada pelo mandachuva da ACME – Agência de Detetives? 


Não por acaso , a Carmen se tornou a melhor detetive da ACME.   Só que sagaz  e inteligente como era,  logo se entediou com  a vida que levava, saiu da Agência, reuniu todos os vilões possíveis e fundou a  VILE.
Carmen, misteriosa e sexy como sempre rs

Já como vilã, saiu pelo mundo tentando roubar as coisas mais preciosas e ‘ impossíveis’ que se podia imaginar. Quanta adrenalina e desafios para uma vida, não?

Não sei se notaram, mas tenho um apreço especial por histórias policiais e seria uma falta muito grande não declarar aqui também minha paixão pelo mrs. Holmes


Desenho Clássico do Holmes.
Seria um comentário elementar, meus caros, dizer que o Sherlock é a personagem mais incrível, sagaz e astuciosa que já passeou pelas ruas da ficção.
 E é com uma frase extraída de um filme do Holmes que termino essa postagem:


“Não seja tolo. Pessoas más fazem maldades porque podem.”
                                                                     (Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras)




See you later!


PS: Parabéns à Pandora, pelo aniversário do seu blog !


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Das Sensibilidades.




Sou todas essas coisas, embora o não queira, no fundo confuso da minha sensibilidade fatal.

Bernardo Soares.

Coisas.




Gosto de cachorros. 
Odeio andar de ônibus.
Tenho muito bom gosto para comida. Mais do que eu gostaria. 
Adoro corujas. Queria uma de estimação.
Reclamo muito.
Queria estudar Mitologia Grega.E música. E história da Arte. 
 Te acho lindo  quando veste camisa branca. E vermelha. E azul. Ah... é lindo sempre.
Gosto de  passear em sebos. Mas tenho ciúme quando vejo a assinatura de um outro alguém num livro que passa a ser meu .
Adoro ler . 
Adoro Chuva.
Adoro correr na chuva.
Adoro o ventinho batendo no rosto .
Adoro vestidos.E sapatos. 
Queria muito estudar Inglês também, mas não consigo.
Queria muito estudar francês, mas também não consigo.

Não me aguento na TPM. 

Sou distraída e tenho lapsos absurdos.  
Sou desastrada e tenho péssima memória.
Às vezes tomo água pra disfarçar a fome.
Extremamente sincera. Grosseira às vezes.
Prefiro o Ano Novo ao Natal.
'Nem sempre sorrio quando estou feliz. 
Nem sempre estou feliz quando sorrio.'

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Sobre Cartas.





Hoje ninguém escreve mais cartas. Coisa obsoleta, ultrapassada. Pra quê cartas quando se pode enviar um recado no facebook ou mandar um twitter?  Quando a correria do dia-a-dia e o caos desse mundo cão mal nos deixa respirar?
Quem nunca escreveu uma carta?   Quem nunca sequer deixou um recadinho para a menina  da 5ª série que gostava ? Quem nunca escreveu uma cartinha derretida com juras de amor eterno e com toda a intensidade da adolescência? 
As Cartas serviam para me deixar comigo-mesma. Afastada de tudo e de todos, escrevia para amainar a solidão tão minha, para compartilhar um pouquinho da  vida com aqueles que amava.
Há cartas que escrevemos demoradamente, de tão demora que às vezes é a saudade.  Nessas, geralmente materializamos as vibrações das últimas poesias lidas, dos sonhos que parecem tão palpáveis. E o simples fato de escrevê-las diminui a distância – dos amigos e de nós mesmos.
E as cartas  de amor?    Para o Fernando Pessoa, todas as cartas de amor são ridículas - ridículo que ele deixa claro em suas cartas endereçadas à Ofélia, sua namorada.  Não concordo totalmente.  Penso que o belo está em todo sentimento, seja ele derramado ou não...
 Ao lembrar da Ofélia de Fernando, me vem à memória outra Ofélia e, um trecho  lindo de uma carta escrita para a Ofélia do príncipe da Dinamarca : “Duvida do brilho da estrela e até do perfume da flor, duvida de toda a verdade,  mas nunca do meu amor..."  Muito romântico, eu sei , talvez, ridículo para o  nosso mundo tão desacreditado e caótico...
 Ah..Cartas!  Açucaradas ou não, sempre trazem em si uma pitada de afeto!
 Porém , as que mais em impressionam são as cartas trocadas entre escritores. A começar pelas cartas do João Cabral.  É notável em suas  cartas o livre exercício da intelectualidade, suas impressões voltadas à  pintura,  literatura, política, à arte em geral .  Mas apesar do João ter sido  um cara contido e ter passado a vida afirmando sua 'racionalidade’,  não falta em suas correspondências a admiração e o apreço pelos amigos. Numa de suas cartas ao Manuel Bandeira, dá até para perceber certa mágoa diante da ausência inexplicável do amigo Carlos Drummond :  “ E o Carlos Drummond, depois de mais de um ano de minha saída do Rio, nunca encontrou um minuto para me responder. Confesso que esse procedimento, da parte dele, que sempre tive por meu amigo, me espanta.”
É..quanta intimidade pode estar  presente numas mal traçadas linhas, não? 
 A troca de cartas entre escritores parece-me ser uma prática frequente – ainda bem!   Pois assim podemos ter acesso à fonte riquíssima de conhecimentos e experiências daqueles que mais admiramos.  De fato, acho a literatura epistolar fascinante. Traz  a intimidade contida em cada letra e muitas vezes, quem a escreve, não é apenas um autor, mas um leitor em potencial, que diante da tinta e do papel deixa suas reflexões e seu olhar sobre a vida.
Prova disso são as cartas do Rainer Rilke, que desvelam toda a riqueza de seu pensamento e a beleza de sua prosa.  As nuances e os questionamentos da vida são belamente retratadas  em algumas páginas :

“...o amor é por muito tempo , ao longo da vida, solidão, isolamento profundo e intenso para quem ama. A princípio o amor não é nada que se chama ser absorvido, entregar-se e unir-se com uma outra pessoa (...) O amor constitui uma oportunidade sublime para o individuo  amadurecer, tornar-se um mundo, tornar-se um mundo para si mesmo por causa de uma outra pessoa (...)  [Cartas a um jovem poeta]”

“Ah, contamos os anos e fazemos cortes aqui e ali e paramos e começamos e hesitamos entre essas opções. Mas quão inteiriço é tudo que nos sucede, e como tem parentesco uma coisa com outra, gerou a si mesma e cresce e é criada para se tornar ela mesma; e temos, no fundo, apenas que estar aí, mas simplesmente, mas insistentemente, tal como a Terra está aí, dizendo sim às estações, clara e escura e totalmente no espaço, não desejando repousar senão na rede de influências e forças onde as estrelas se sentem seguras.”

–Rainer Maria Rilke (19 de outubro de 1907, carta para Clara Rilke)

As Cartas do Fernando Sabino também são de encher os olhos:

Rio de Janeiro, 27 de outubro de 1953
Clarice,
Gostei de saber que você está com a alma mais sossegada. O sentimento de grandeza que você acha que está perdendo talvez agora é que você esteja adquirindo. Sua predisposição para ficar calada não é propriamente uma novidade: a novidade é estar aceitando, inclusive, o silêncio. É bom isso, dá mais paciência, mais compreensão, dá mais sentimento às coisas — e dá grandeza.

Fernando.
(Carta de Fernando Sabino para Clarice Lispector)

 Silêncio.. Como dizia o Guimarães Rosa, "O silêncio é a gente mesmo, demais”.  Talvez, escrever cartas  seja  o momento em que somos  ‘a gente demais’ também, com  a diferença que esse momento é compartilhado com pessoas queridas.
Apesar de viver no mundo dos caracteres limitados, em que a comunicação avança cada vez mais e o relacionamento humano anda em pleno declínio, sou da geração que escreve cartas.  Escrever é sempre um desafio. E pra quê desafio melhor do que desafiar a si mesmo?  É nas poucas linhas endereçadas a um amigo que às vezes vamos ao encontro  de nós mesmos. Infelizmente, hoje em dia dedicamos um bom  tempo em frente a um aparelho de TV e achamos que escrever uma carta seja algo ultrapassado.    De pouco em pouco, estamos perdendo algumas sabedorias e o livre exercício de pensar... 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Dialética






É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste…

( Vinícius de Moraes )