quarta-feira, 28 de março de 2012

“Ó deixa viver-me como quero! E também morrer!
(Viver e morrer é tudo que tenho a fazer)
Manter a Dignidade e Postura de um Poeta,
Ver os amigos e ler os livros que me dar na veneta”
(Alexander Pope)





"Quando a gente dorme, vira de tudo: vira pedras, vira flor. O que sinto, e esforço em dizer ao senhor, repondo minhas lembranças, não consigo; por tanto é que refiro tudo nestas fantasias. Dormi nos ventos. Quando acordei, não cri: tudo o que é bonito é absurdo - Deus estável

sábado, 24 de março de 2012

Daquilo-que-me-faço.


Não sei o que o mundo pode pensar de mim.
Mas eu mesmo me considero tão-somente um
menino,
que, brincando na areia da praia, se diverte ao
encontrar um seixo arredondado ou uma concha
mais bonita que as comuns, enquanto o grande
oceano jaz indescritível ante meus olhos.

(Isaac Newton)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Floral..



É isto. É primavera.
Estou feliz, em febre.
Outros
politizam suas dores.
Eu
me polenizo
ou polemizo
- com as flores

Affonso Romano de Sant'Anna
In: A POESIA POSSÍVEL

quinta-feira, 8 de março de 2012

Feliz Dia Internacional da Mulher (:



De fruta é tua textura
e assim concreta;
textura densa que a luz
não atravessa.
Sem transparência:
não de água clara, porém
de mel, intensa.


Intensa é tua textura
porém não cega;
sim de coisa que tem luz
própria, interna.
E tens idêntica
carnação de mel de cana
e luz morena.


Luminosos cristais
possuis internos
iguais aos do ar que o verão
usa em setembro.
E há em tua pele
o sol das frutas que o verão
traz no Nordeste.


É de fruta dó Nordeste
tua epiderme:
mesma carnação dourada.
solar e alegre...


[ Sem palavras diante de João Cabral de Melo Neto.. Então, só me resta desejar .. Um feliz dia para nós ;)   ]

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".


Eduardo Galeano.

terça-feira, 6 de março de 2012


Vezenquando  te volteias
Para que eu não me esqueça
Do instante cego
Em que me pedires companhia.

Eu não me esqueço
Te espio de Hora em Hora..

|Hilda Hilst|

quinta-feira, 1 de março de 2012


Acabou pensando nele como jamais imaginara que se pudesse pensar em alguém, pressentindo-o onde não estava, desejando-o onde não podia estar, acordando de súbito com a sensação física de que ele a contemplava na escuridão enquanto ela dormia, de maneira que na tarde em que sentiu seus passos resolutos no tapete de folhas amarelas da pracinha custou a crer que não fosse outro embuste da sua fantasia.
Gabriel Garcia Marquez in “O Amor no Tempo do Cólera”